O enfrentamento pesado da criminalidade garantiu a diminuição e o controle da violência em outras metrópoles do mundo.
A pacificação de Nova York não teve uma receita simples. Combinou endurecimento nas políticas de segurança pública e reestruturação da polícia.
No país todo, a criminalidade começou a cair nos anos 90, resultado da eleição, na década anterior, de políticos comprometidos com o combate ao crime. Leis muito mais rigorosas foram adotadas, com penas altas para o tráfico de drogas.
Hoje há mais de dois milhões de pessoas atrás das grades nos Estados Unidos, a maioria por crimes ligados ao tráfico. A prosperidade da economia nos anos 90 ajudou muito. E nunca houve, como no Brasil, áreas conquistadas pelos traficantes.
No auge da violência, a maior da historia de Nova York, em 1990, mais de duas mil pessoas foram assassinadas. No ano passado, 471.
Entre as medidas - que levaram a esse resultado - está a política de tolerância zero: a ideia de reprimir com rigor pequenas infrações como pichações, jogar lixo na rua, flanelinhas, pedintes nos sinais, para criar um clima de ordem que desestimula crimes maiores.
A polícia foi modernizada e moralizada. Aumentou o contingente, os corruptos foram afastados, e os delegados obrigados a reduzir as estatísticas de crimes, sob pena de afastamento.
Nova York é hoje a mais segura entre todas as grandes cidades americanas. Mas este ano surgiram sinais preocupantes. Pela primeira vez, em muitos anos, está subindo o número de crimes violentos: assassinatos, assaltos e estupros. Em um bairro de portorriquenhos e imigrantes latinos, o East Harlem, houve apenas dois assassinatos, no ano passado, e este ano dez, cinco vezes mais, até novembro.
Policiais também revelaram que no passado foram obrigados a falsear as estatísticas para apresentar bons resultados. Com a longa recessão e o alto desemprego, 20% ou mais em bairros pobres, cresce o temor de que Nova York volte a ser uma cidade violenta.
Fonte: Jornal da Globo
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