Veja a matéria feito pelo fantastico no dia 24/02/2007 sobre Lijoel Bento Barbosa:
Mais de 40 anos no crime, 60 de idade, a serem completados no inicio de março, na cadeia. Lijoel, o Jóia, parece um senhor pacato, boa praça, daqueles que a gente vê cuidando dos netos. Só parece.
“É lobo em pele de cordeiro, ninguém imagina que um senhor deste, que seria o vovô ideal de qualquer pessoa, seja um ladrão contumaz como ele é”, garante o delegado de Araras Tabajara Zuliani dos Santos.
Jóia começou a agir nos anos 1960. Especialidade: arrombar e furtar casas, com uma rapidez impressionante.
“De dois a cinco minutos”, conta o delegado de Araras Tabajara Zuliani dos Santos.
Jóia construiu uma imagem de bandido solitário e desarmado. Esperava os donos da casa saírem e arrombava a fechadura. Se fosse surpreendido, aproveitava sua aparência inofensiva e contava uma lorota.
“Ele estava praticando furto numa casa quando chegaram policiais militares e o surpreenderam naquela ação. Ele falou: ‘os vizinhos chamaram vocês de novo? O que vocês estão fazendo? É a casa do meu irmão. Estou recolhendo objetos para levar para eles. Vocês querem entrar, tomar um café, uma água, fiquem à vontade?”, conta Sydney Sully Urbach, delegado de Araras, São Paulo.
“Tem casa que ele estava roubando, a mulher achou estranho ele pegou a vassoura e começou a varrer. Ele saiu e falou: ´calor hein?´ Pegou o carro e foi embora”, conta o comandante da Guarda Metropolitana, Jaguariúna, Marco Antonio Marcos.
Com essa técnica, Jóia invadiu casas em 43 cidades do interior de São Paulo.
“Quando entrava, ele procurava limpar, especialmente eletrônicos, eletrodomésticos e jóias, daí o apelido”, diz Sydney Sully Urbach.
Ele já esteve preso. A última fuga foi em 1993, de uma cadeia de Piracicaba, hoje desativada. Irônico, o ladrão ainda deixou uma mensagem na cela.
“Cadeia é para bijuteria, não é para jóia”, aponta o delegado seccional, de Limeira/SP, Aparecido Campello.
Foram sete anos de liberdade, até a semana passada.
O ladrão, um dos mais velhos em atividade no estado de São Paulo, pretendia descansar e rever os netos durante o carnaval. A policia soube disso e montou um esquema de vigilância em sete endereços onde ele podia ficar. Na manhã de sexta-feira, dia 16, uma chácara de alto padrão em Araras foi invadida e o bandido foi preso sem reagir.
A chácara é de um sobrinho de Jóia, Jesse, preso logo depois. Era ele quem revendia os produtos roubados.
“Ele conseguiu educar e formar filhos pelo crime”, diz o delegado Araras Sydney Sully Urbach.
A surpresa foi quando os policiais levantaram a ficha do ladrão. Tem 14 metros de comprimento e desfaz a imagem de Jóia como um bandido folclórico e não-violento. Ele foi condenado por dois estupros, um assassinato e outras ações cruéis.
“No ano passado foi descoberto durante uma blitz, reconhecido por um policial militar e quando tentou tirar a chave da ignição do veículo ele acabou enroscando o dedo no chaveiro. Ele não teve piedade, ele arrancou com o carro, arrastando o policial e seccionando o dedo dele”, conta Sydney Sully Urbach.
Em uma casa, em Jaguariúna, Jóia foi surpreendido pelo dono na garagem. Manteve o sangue frio e contou uma história mentirosa, mas convincente. “Quando ele viu meu marido chegando ele falou se ele era o dono da casa, ele falou que era, aí ele contou que havia espantado três bandidos que estava apedrejando os cachorros. Aí meu marido falou, nossa. Ele disse: se o senhor quiser chamar a polícia, o senhor chama. Meu marido agradeceu”, conta uma senhora.
Com a prisão dele, a polícia espera que os furtos diminuam no interior de São Paulo. E agora, se Jóia quiser aplicar novos golpes e inventar histórias, só mesmo na cadeia.

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